CITADINOS, CITADINAS | LIMA CARVALHO

De 28 de Setembro a 14 de Dezembro

No foyer do Auditório de Espinho

limacarvalho

Contrariando a realidade perceptiva, Lima Carvalho recorre à redução aspéctica e ao sentido inventivo da forma, para transfigurar os protagonistas do “drama” citadino, que habitam a superfície da tela, como se existissem no espaço feérico de uma cidade imaginária, a “cidade da pintura”. Recorrendo a diversas tipologias de padrão e a gamas tonais para sensibilizar extensas superfícies de cor, Lima Carvalho remete-nos para um lirismo geométrico, que assenta no rigor do desenho, na contenção da gestualidade e na irreverência do contraste, que, por vezes, adquire expressão através de valores acromáticos. A cor, quase sempre plana, não obedece ao realismo da cor local.

Num artigo publicado, em Junho de 2015, no Jornal de Letras, Rocha de Sousa atribui à pintura de Lima Carvalho “um humor frio e uma fealdade bonita”, sublinhando a importância dos “personagens isolados sobre paredes vazias que relevam também da memória cubista de um certo Picasso.” Neste sentido, considera que Lima Carvalho “faz como Picasso, soma diferentes pontos de vista, esconde um braço ou dobra uma perna, geometriza saias tufadas pelo vento.” “Citadinos, Citadinas” constitui a resposta a um desafio que não se compadece com improvisos. Os quadros de Lima Carvalho fazem jus a um percurso exigente, assente num período de formação difícil de igualar, pautado por uma capacidade inexcedível de trabalho, pela inquietude e pelos sortilégios da imaginação criativa.
Fragmento do texto 2015
António Pedro

LIMA CARVALHO
Joaquim Manuel Lima Carvalho nasceu em 1940 no Porto. Licenciou-se em Pintura na Escola Superior de Belas-Artes do Porto. Foi coordenador da Licenciatura em Pintura da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa. Na década de 70, fez parte dos órgãos sociais da Sociedade Nacional de Belas-Artes. Foi um dos fundadores da Cooperativa Árvore no Porto. Com Clara Menéres e Queirós Ribeiro formou o grupo ACRE.
Em 1973 realizou a 1ª exposição individual na Galeria Ottolini, em Lisboa. Posteriormente, expôs nas Galerias do Jornal Notícias, na Galeria E.G e na Galeria Praça, no Porto, na Galeria “Teoartis” em Évora; e “Lapul”, na Figueira da Foz. Em 1989, exposição de pintura e desenho na Fundação Gulbenkian; na Galeria São Mamede em Lisboa; realizou e participou em pinturas murais em diversas instituições e lugares públicos. Expôs também na Galeria do Casino Estoril, na Reitoria da Universidade de Lisboa, na Cooperativa Árvore, na Galeria S. Francisco, em Lisboa, na Sociedade de Belas-Artes de Lisboa. Foi diretor artístico da Galeria Pousão no Porto e as últimas exposições individuais foram na cooperativa Árvore, no Porto e na galeria ArtePeriférica do CCB, em Lisboa.