CIDADE-MEMÓRIA; CASA-INFÂNCIA

DE CONSTANÇA ARAÚJO AMADOR

De 11 de Janeiro a 29 de Março de 2019

No foyer do Auditório de Espinho

birdsostrava

As casas
Há sempre um deus fantástico nas Casas
Em que eu vivo, e em volta dos meus passos
Eu sinto os grandes anjos cujas asas
Contêm todo o vento dos espaços.
Sophia de Mello Breyner Andresen

Estudei em Espinho até ir para a Faculdade. E para mim, cada rua tem uma história, uma memória, os melhores amigos e os primeiros amores. Conheço-lhe os cantos e os esconderijos. Espinho é a minha cidade-memória, a que me influenciou para o que sou hoje. Ruas numéricas em linhas ortogonais e que desaguam nesta exposição, na rua que conta a minha idade.
A Academia de Música tornou-se igualmente numa das minhas casas-infância. Do que mais me recordo, são os fins-de-tarde, as aulas já à noite. O cheiro da cave, o deixar a música entrar em mim. Tirar os anéis, sentar-me direita e ouvir o marcar do compasso, pela bengala da professora Delmary Neves. Perfeitamente sinto a importância que teve para mim, a passagem entre 1990-1996. Melómana assídua, de poemas sinfónicos que invoco agora, conscientemente para o meu trabalho. Formas e reflexos, de uma pincelada a aguarela, com cores saturadas, num paralelismo entre o mar e o cosmos, estas duas formas que são também o espelho desta cidade.

Constança Araújo Amador

Constança Araújo Amador, vive no Porto, mas foi vizinha da casa de Sophia, na Praia da Granja, durante 20 anos. É Mestre em Ilustração e Animação, Pós-Graduada em Gestão Cultural e Licenciada em Artes Plásticas – Pintura, pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. Frequentou a Akademie vytvarnych umeni, em Praga, República Checa. Desenvolve o seu trabalho de desenho e ilustração para exposições, livros, jornais e revistas, montras e murais, a partir da Poesia Contemporânea Portuguesa. Foi directora de ilustração do Jornal Universitário do Porto (JUP) até 2015. Dá formação nas áreas da ilustração e das artes visuais, em várias instituições tais como a Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. Trabalha na área do Serviço Educativo em Museus, desde 2009 e é Arte-Educadora no Museu de Arte Contemporânea de Serralves, no Porto e no Núcleo de Arte da Oliva Creative Factory, em São João da Madeira. Gosta de pássaros.
website: www.aconstanca.com | facebook: www.facebook.com/aConstanca | instagram: www.instagram.com/aConstanca

Livros Publicados:
“Onde o olhar se demora”, A. Riomonte, Galeria Trindade (2017);
“Palavras-Chave”, João Manuel Ribeiro, Trinta por uma Linha (2017);
“Simão e a Caixa de Pensar”, Duarte Manuel Pinheiro, Trinta por uma Linha (2016);
“O Movimento Impróprio do Mundo”, Sara F. Costa, Âncora Editora (2016) – Prémio João da Silva Correia;
“Geração Descartável”, Renato Filipe Cardoso, Texto Sentido (2015);
“Pessoas”, Ricardo Barceló, Apuro Edições (2015);
“Melancholia”, Aonorte Cineclube Viana (2013)